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Dedo de prosa na cozinha

Polenta com frango

Numa noite de domingo estava eu conferindo meus e-mails quando me deparo com uma mensagem curta de um certo Felipe de um site chamado Mapa da Cachaça, elogiando o trabalho que desenvolvo no meu blog Marvada e me convidando a conhecer o trabalho dele.

Fui, vi e gostei como é impossível não gostar de algo feito com tanto capricho, qualidade e talento.

Na noite seguinte recebo outro e-mail de uma certa Gabriela comentando que visitou meu blog culinário Restô d’Ontê e me convidando para visitar um projeto que ela estava desenvolvendo denominado …. Mapa da Cachaça ?!?

Perálá, o mesmo site? Eles se conhecem e não tinham trocado informações sobre mim ou meus projetos? Santa coincidência!

Descubro que Felipe Jannuzzi e Gabriela Barreto são sócios, apaixonados por cachaça e encabeçam uma competente equipe na empreitada de valorizar a cachaça como patrimônio nacional.

Doce conspiração dos astros para reunir coisas boas.

O projeto Mapa da Cachaça é algo tão bom e está crescendo tão rápido que ao escrever estas palavras todos os que as leem certamente já o conhecem. Mas não posso deixar de citar esta estranha sucessão de eventos que me aproximou deles e que permitiu que timidamente eu pudesse contribuir e beber um pouco do seu sucesso.

Em 22 de julho tive uma receita de Polenta com frango e sua história particular publicada.

Foi uma sensação gratificante que espero poder repetir sem moderação.

Felicidades, sucesso e vida longa ao Mapa da Cachaça e a toda sua equipe.


Curta o curta: Cachaça

 


Dia da Cachaça Mineira

Não há tristeza que dure para sempre, nem mal que se perpetue pela eternidade.

Veja meu caso.

Estava triste.

Nasci num dia 21 de maio – Dia da Cachaça.

É o dia que, historicamente, se inicia a colheita da cana-de-açucar em Minas Gerais para a produção da cachaça.

Eu era feliz por isso.

Ai veio o governo e determinou que o dia da cachaça passe a ser 13 de setembro.

Foi nesse dia do ano de 1661 que o Reino de Portugal liberou a produção e comercialização da cachaça que tinha sido proibida por 26 anos pois a nossa aguardente concorria com os alcólicos importados.

Com isso, o dia 21 de maio passou a ser apenas o dia da cachaça mineira.

Fiquei triste, deprimido.

Uma amiga me fez ver que existe um lado bom para tudo na vida.

Agora, tenho DOIS dias para comemorar a cachaça !!!

Um brinde então.


Batidinha de frutas

Diferentemente das caipirinhas que são feitas artesanalmente com frutas esmagadas e açúcar, as batidinhas são produtos quase industriais.

Frequentam recepções, festas de formatura, casamentos, aniversários e salas de espera de restaurantes lotados.

São as preferidas das mulheres, quando se apresentam “docinhas” e em pequenas e seriadas doses.

Por essas, a maioria das pessoas costuma pensar que sua confecção é difícil e trabalhosa. Ledo engano.

É muito fácil fazer batidinhas de vários sabores, agitar uma festinha e agradar (principalmente) as mulheres.

Os sabores mais comuns sã0 de coco e maracujá. Mas também é muito fácil fazer de uva, pêssego, abacaxi, caju, chocolate e outros.

Minha receita básica é simples. Utilizo suco concentrado, daqueles encontrados nas gôndolas de supermercado. Poder-se usar suco natural ou mesmo polpa congelada, mas o suco concentrado tem a vantagem de ser fácil de usar e permitir o armazenamento em refrigeração do que sobrar (se sobrar) por alguns dias.

A medida precisa ser adaptada para alguns sabores mais concentrados. O suco de maracujá, por exemplo, é mais forte e deve ser reduzido à metade. A batida de coco é feito com leite de coco (duas garrafas de 200 ml) e a de chocolate usa 200 gramas chocolate em pó (não use achocolatado).

A medida padrão é:

  • 1 lata de leite condensado
  • a mesma medida de cachaça branca
  • 1 garrafa de 500 ml de suco concentrado de fruta

Bata todos os ingredientes no liquidificador e leve à geladeira.

Sirva com gelo, mas atenção, sempre agite antes de servir.

Para quem deseja uma bebida mais leve, entenda-se menos alcoólica, uma alternativa é reduzir à metade a medida de aguardente e substituir por guaraná.

A mesma dica serve para “afinar” a bebida caso ela tenha ficado muito densa. Nesse caso acrescente guaraná aos poucos no liquidificador pois o gás presente na bebida pode causar alguns inconvenientes.

Oportunamente publicarei outros posts contendo fotos e a receita específica de cada sabor.

Se você tiver outras receitas interessantes, compartilhe conosco.


Água sagrada

A cana sagrada
nobre suco emana
que volita e irmana
como aprendeu a negrada.

O copo se esvazia
o desânimo se alija
a alegria esfuzia
o paladar regozija.

A alma deflagra
contra o corpo aflito
um verso ínclito
que ao poeta se sagra.

Doce canha
água substantivada
os ânimos assanha
cachaça marvada.


Caipirinha de abacaxi

Afinal, se caipinha é de limão, a de abacaxi é caipirinha ou não?

Bom, sempre haverão puristas afirmando que caipirinha, só de limão. Que as de outras frutas são batidinhas.

Eu prefiro outras definições para diferenciar os drinques:

“Caipirinha” é  feito com cachaça e frutas esmagadas.

“Batidinha” é  feita com polpa ou concentrado de frutas ou ainda outro ingrediente que adicione sabor.

Assim, o limão, abacaxi, maracujá ou morango podem render tanto para fazer uma boa caipirinha quanto para uma deliciosa batidinha. Lembrando que as melhores caipirinhas são feitas com frutas cítricas

E uma boa caipirinha de abacaxi começa pela escolha de uma boa fruta. Doce e não muito madura. Se for uma fruta “aguada” e sem sabor, a bebida definitivamente não ficará boa.

PASSOS:

  1. Descasque o abacaxi e divida-o em cinco ou seis partes. Lembre-se que a casca tanto pode render um bom chá como ainda servir para fazer um delicioso licor.
  2. Pique uma das partes em pedaços não muito pequenos, coloque no copo adicione  uma colher de açucar e esmague com o pilão.
  3. Deixe descansar por alguns minutos, isso apura o sabor da bebida.
  4. Acrescente o gelo e finalmente a cachaça, sempre branca. Nunca use cachaça envelhecida ou descansada para fazer caipirinhas. Elas alteram o sabor do drink além de serem um desperdício gustativo.

DICA: Se estiver fazendo várias caipirinhas para servir numa festa, a dica é preparar vários copos até o PASSO 3 e colocá-los no congelador. Na hora de servir bastará retirar do congelador, adicionar uma dose de cachaça e algum gelo adicional.

ATENÇÃO: Essa dica NÃO funciona para a tradicional caipirinha de limão.


Caipirinha

O dicionário Aulete define caipirinha como sendo uma “Bebida, originalmente brasileira, preparada com cachaça, pedaços de limão ou limão macerado, açúcar e gelo“.

Os mandamentos fundamentais de uma legítima caipirinha estão aí expressos.

O primeiro, solenemente desrespeitado por quem não dá valor a nossa patriótica cachaça, é trocar a alma do drink por qualquer outro destilado. Já vi quem servisse sob o nome de caipirinha um drink de limão macerado com campari. Isso pode ser tudo, menos caipirinha.

Portanto, para não errar, basta uma simples receita:

50 ml de cachaça (1 dose)
1 limão taiti
1 colher de açúcar
3 cubos de gelo

Ainda assim, alguns cuidados podem fazer do preparo e da degustação um prazer exclusivo. Vamos a eles.

Caipirinha é feita com cachaça !

Qualquer outro destilado pode ser usado na produção de drinks com frutas, mas não será caipirinha. Aqui, vale apresentar um glossário de drinks semelhantes feitos com outros destilados:

vodka = caipiroska
bacardi (rum) = caipiríssima
tequila = tequirinha
sakê = sakerinha

Apesar do mesmo verbete no dicionário  informar que  o limão pode ser substituído por outra fruta (falaremos sobre isso em outra oportunidade) este drink tipicamente brasileiro ficou mundialmente conhecido em sua versão tradicional com limão.

Prefira o limão taiti. Limões com a polpa amarela não costumam render boas caipirinhas. Virou moda usar o limão siciliano. Impressiona, mais pelo preço que custa do pelo sabor que proporciona.

Escolha um limão de casca brilhante e lisa. Isso indica uma fruta jovem e com bom suco. Ele deve ser firme, mas não pesado.

O limão pode ser descascado ou não, isso depende do gosto pessoal. Com a casca, a bebida tende a ficar um pouco mais ácida. Remova o miolo do limão, aquela parte branca que une os gomos. Ela deixa um gosto amargo na bebida.

O limão deve ser macerado, ou seja, esmagado com pilão ou outro instrumento adequado. Não use suco de limão pois ele oxida muito rapidamente. Por isso mesmo este drink não deve ser feito muito tempo antes de ser apreciado.

Esmague o limão com o açúcar no próprio copo em que a caipirinha será servida. Esmagá-los em conjunto faz com que o limão solte um pouco mais de seu suco e retarda o processo de oxidação.

Evite usar adoçante. Ele deixa um gosto amargo na bebida e seu efeito dietético provavelmente estará sendo anulado pelo álcool consumido. Mas se você insistir em “cortar calorias” use pouco açúcar para macerar o limão e complete com o adoçante de sua preferência.

Adicione gelo picado, mas não moído. Pedras muito grandes atrapalham o consumo. Muito pequenas derretem logo e deixam o drink aguado.

Finalmente coloque a cachaça sobre o gelo e mexa com suavidade. Uma dose (50 ml) ou uma dose e meia serão suficientes.

Inspire profundamente e beba com tranquilidade, desfrutando do privilégio de ter em mãos um dos drinks mais populares e saborosos do mundo.


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