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Boas Festas

Cesta de Natal - Casa da CachaçaManhã de sábado, nada para fazer.

Acordo tarde e quando já se aproxima a hora do almoço lembro que sempre procrastino a visita a uma nova loja. Para espantar o tédio arrisco uma visita e vou até a Casa da Cachaça localizada no centro da cidade.

O ambiente é pequeno mas bem aproveitado. Muitos rótulos do destilado símbolo do Brasil cobrem as paredes. Encontram-se também acessórios, presentes, petiscos e uma pequena variedade de queijos e embutidos.

O atendente, muito solicito, conta a história da casa. Discorre sobre a qualidade das bebidas. Apresenta alguns rótulos raros e exclusivos.

Não se esquece de falar dos ocasionais happy-hours promovidos espontaneamente por clientes, regados a boas cachaças guarnecidas por petiscos e embalados por boa música popular “de raiz”.

Tudo muito bom, tudo muito bem.

Compro uma garrafa para não sair de mãos vazias e quase saindo…

“- Preenche um cupom para concorrer a nossa cesta de presentes de natal. Vai correr essa semana.”

Resisto ao impulso de economizar a tinta da caneta e preencho.

E Pá ! Ganhei ?!?!

Faz tempo que não ganho nenhum sorteio. Será que já ganhei algum ? Acho que um frango assado em bingo de quermesse, sei lá.

Mas dessa vez ganhei uma cesta de natal da Casa da Cachaça.

Nada de panetone, castanha, frutas secas e espumante.

Muuuuito melhor !

Três cachaças, uma garrafa portátil, torresmo, molho de mostarda, doce de leite mineiro, “paieiro” e um exclusivo copo personalizado de cachaça.

Vai terminando bem meu ano, tomara que o próximo continue assim.

Boas festas a todos com o desejo de que assim como nossas cachaças melhoram a cada ano, que melhore esse nosso Brasil tão maltratado.


Casa da Cachaça
Rua São Paulo, Nº 500, Centro
Cascavel, Parana, Brazil
(45) 3229-6150
https://www.facebook.com/casadacachacacascavel/


Quintal da Cachaça

Quintal da Cachaça

Já reconhecida como produto sofisticado, a cachaça cativa cada vez mais um público exigente ávido por novidades.

Mas encontrar bebidas novas e experimentar sabores variados sem o aval de especialistas é tarefa cara que não raro gera resultados desapontadores.

Então imagine receber em casa todo mês uma cachaça de alambique selecionada e com controle de qualidade assegurada.

Essa é a proposta do Quintal da Cachaça, o primeiro clube de assinantes de cachaça de alambique do país.

O Quintal conta com o apoio de especialistas que viajam pelo país prospectando boas cachaças de alambique.

Uma vez selecionadas elas são especialmente engarrafadas e distribuída aos assinantes em embalagens com duas garrafas e dois cartões que narram a história, avaliação sensorial, harmonização e outros detalhes relevantes que enriquecem a experiência degustativa.

É uma forma confortável e segura de conhecer exemplares raros e pouco difundidos da bebida oficial do Brasil.

Entrevistei Thiago Tavares, um dos sócios, que fala do empreendimento.

Marcelo Marcio: Como surgiu a iniciativa?

Thiago Tavares: A história toda começou depois de uma viagem que fiz a Paraty. Fiquei bastante impressionado pela relação da cidade com a cachaça e com a variedade de alambiques. Na época, eram 7 alambiques e em dois dias visitei todos!

Quando voltei para Campinas, fiquei pensando na quantidade de produtores, sabores e histórias que estão espalhadas pelo Brasil, envolvidos nesse universo da cachaça. Então, durante uma conversa com  meus atuais parceiros (resposta abaixo), decidimos que iríamos trabalhar a cachaça no modelo de assinatura. Assim, poderíamos ajudar o iniciante e o apreciador a conhecer novos alambiques todos os meses e, ao mesmo tempo, ajudaríamos os produtores a encontrar novos consumidores!

MM: Qual a origem (inspiração) do nome?

TT: O quintal (local da casa) foi onde eu contei pela primeira vez essa ideia aos meus atuais sócios. Era lá também onde sempre nos reuníamos para tomar cachaça ou cerveja, trocar ideias, comer. Naturalmente, acabou virando um lugar de reunião entre os amigos. Parece mentira, mas estávamos tomando cachaça quando começamos a pensar no nome que esse clube teria. Depois de algumas sugestões, alguém disse: “Ué! Quintal da Cachaça!”. A criação do nome foi tão espontânea, que só depois fomos reparar que o quintal é, para o brasileiro, o lugar onde se recebe os melhores amigos e onde se faz churrasco. Ou seja, um lugar de convício social e que combina muito bem com o espírito da marvada!

MM: Qual sua relação com a cachaça? 

TT: Comecei a  me interessar por cachaça de alambique na época da faculdade. Eu tinha um amigo que sempre quando íamos no boteco ele pedia algumas doses da Boazinha ou Seleta, mas até então eu não tinha nenhum conhecimento profundo, só a curiosidade.

No entanto, a cachaça começou a ter um sentido diferente a partir do momento em que comecei a viajar, conhecer os alambiques e as suas histórias!

Recentemente, uma coisa curiosa que me aconteceu por causa da cachaça foi descobrir que meu falecido avô produzia cachaça na década de 1940, na Cidade Gaúcha (PR). Isso me deixou bem surpreso e com uma vontade enorme de investigar mais essa historia!

MM  Como é feita a seleção das bebidas que serão incorporadas ao portfólio?

TT: Nossa seleção acontece em três fases: no primeiro momento a gente faz uma lista de possíveis alambiques que podemos visitar em uma região. Com essa lista em mãos, a gente faz a primeira filtragem entrando em contato com  os produtores para fazer algumas perguntas preliminares, como, por exemplo, se o alambique tem registro no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Se a reposta for negativa, não damos continuidade; Depois, começamos a melhor parte! Fazemos um roteiro e visitamos todos os alambiques que acreditamos que tenham potencial para fazer parte do clube. Durante a visita, estamos preocupados mais com questões técnicas da produção, a higiêne do local e, claro, as peculiaridades que tornam aquele produto  especial. Recolhemos algumas amostras, que são enviadas para a análise sensorial do Dr. Leandro Marelli, um dos maiores especialistas do país quando se fala em cachaça! Se a amostra for aprovada, avaliamos em qual mês vamos colocar aquele rótulo. Alguns meses depois, o associado irá recebê-lo em casa! Tudo isso garante  a segurança alimentar e uma experiência sensorial única para os nossos associados!

MM: Todas as bebidas são embaladas em garrafas com rótulos exclusivos?

TT: Depende. Alguns produtores já possuem em formato long neck e outros não. Quando eles não têm, aí sim, as bebidas são envazadas e rotuladas exclusivamente para nós. Das cinco seleções que fizemos até agora, duas foram feitas exclusivamente para o Quintal (a Flor da Montanha foi uma delas).

MM: É possível obter kits de degustação anteriores ao ingresso do associado?

TT: Em geral, nós não tentamos manter estoque. Mas, claro, se tivermos disponíveis os kits anteriores, é possível obter, sim!

MM: O que mais você gostaria de comentar sobre a cachaça, sua importância cultural e comercial? 

TT: Acredito que estamos em um bom  momento para redescobrir a cachaça. Nos alambiques que venho visitando, cada vez mais, encontro produtores investindo em novas tecnologias, estrutura e no próprio resgate da história de sua cachaça – imagine o quanto não se pode descobrir em um alambique que tem 80, 100 anos de história e está na quarta ou quinta geração? Nosso maior desejo é que as pessoas comecem a visitar alambiques de qualidade e, mais do que conhecer todo esse belo trabalho, se sintam tocadas pelas histórias e cultura desse meio. E, claro, que comecem a provar e conhecer todo o potencial das boas cachaças!

MM: Quando você olha para o futuro, como você vê o “Quintal”?

TT: O clube de assinatura é o primeiro passo de muitos que ainda vamos dar para contribuir cada vez mais com o mercado! No futuro, eu vejo o Quintal ajudando cada vez mais o apreciador a encontrar bons produtores e, ao mesmo tempo, auxiliando os produtores a promover seu alambique e seus produtos!


Cachaça Fuzuê em primeiro lugar

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Cachaca Fuzuê é eleita a melhor do estado de São Paulo Bebida ficou em 1º lugar em concurso realizado pela Unesp de Araraquara; entre os concorrentes da categoria não envelhecida representantes de outros estados

A cachaça Fuzuê produzida pelo empresário Erick Zurita, numa propriedade rural de Rio Claro, venceu como a melhor cachaça do estado de São Paulo em uma das categorias do mais recente Concurso de Qualidade da Cachaça, promovido pelo Centro de Pesquisas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Araraquara.

Os resultados desta que é a IX edição da competição saíram no final de setembro.

A bebida, produzida no Engenho Zurita, localizado no Sítio Esperança, na divisa entre Araras e Rio Claro, teve a nota mais alta entre as concorrentes na categoria “não envelhecida”.

A Fuzuê competiu com dezenas de outras bebidas enviadas por outros produtores, não só do estado de São Paulo, mas também do Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Para avaliar a qualidade das cachaças participantes, a Unesp levou 60 tipos da bebida a bares e restaurantes, onde clientes foram convidados a degustar e ajudar na escolha, em três categorias – além da que foi vencida pela Fuzuê – também as ‘descansadas’ e as envelhecidas em madeira.

O objetivo do concurso, do qual a Fuzuê já havia participado em edições anteriores, galgando posições até chegar ao topo, é ampliar a divulgação da cachaça no mercado consumidor e também estimular e ajudar os produtores a elevar cada vez mais o padrão de qualidade de seus produtos. “Promovemos palestras e orientações para auxiliar na busca por essa qualidade”, explica Michele Boesso Rotta, pesquisadora da Unesp.

O resultado é considerado excelente pelo produtor, pois trata-se de um produto orgânico. “Não utilizamos qualquer substância ou açúcar para alterar o sabor da bebida”, afirma Zurita. “Essa vitória reafirma nosso compromisso com a qualidade e preservação das características originais da cachaça que produzimos”, complementa.

Produção inteiramente artesanal

Produzida por meios inteiramente artesanais, a Fuzuê é feita com cana-de-açúcar plantada no próprio Sítio Esperança. A cana é moída e a garapa é então aquecida a 30 graus num tanque apropriado.

Após passar pelos processos de fermentação e destilação, o produto libera vapor que, condensado, se transforma na cachaça.

A produção, hoje, é de 80 litros diários, armazenados em barris de madeira para envelhecimento e posterior comercialização em diversas regiões do Brasil e em países do Mercosul.

A vitória no concurso promovido pela Unesp, segundo Zurita, também impulsiona a produção com vistas à expansão do consumo devido à Copa do Mundo e Olimpíadas.

O Engenho Zurita já faz os preparativos para essa expansão, elaborando embalagens especiais em inglês, além de outros materiais e ações de apoio para divulgação. A estimativa é de que as vendas aumentem em 30%. “Verificamos essa perspectiva com base nas vendas realizadas por conta da Copa das Confederações”, explica.

Mais informações, bem como imagens do Engenho Zurita e outros detalhes sobre a fabricação do produto podem ser obtidos no site www.cachacafuzue.com.br.

Em alta no mundo

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e investimentos, as exportações de cachaça brasileira em 2012 atingiram US$ 15 milhões. O volume comercializado passou de 8 milhões de litros, evidenciando que a cachaça vem, há muito, deixando de ser considerada uma bebida popular, marcando presença nos badalados circuitos gastronômicos.

Os principais países que compram a cachaça do Brasil no ano passado foram a Alemanha e os Estados Unidos que, inclusive, reconheceram a bebida como exclusivamente brasileira, em contrapartida ao reconhecimento do ‘bourbon whisky’ e do ‘tennessee whisky’ como bebidas elaboradas apenas por produtores dos Estados Unidos.


AR.Press Assessoria de Comunicação
Avenida Leme, 291 – Parque das Árvores – Araras SP
e-mail – ar.press.ararassp@gmail.com


Falando de cachaça – parte 2

Aqui um novo encontro com Beto Belini em seu programa Criando Espaço.

Comentamos sobre o participação no prêmio TOP BLOG em que o site Marvada figurou entre os 100 mais na categoria gastronomia.

Também apresentamos a deliciosa cachaça artesanal Dente da Cobra que está sendo produzida em Cascavel e que tem conquistado entusiasmados admiradores.


Falando de cachaça – parte 1

Esta entrevista foi ao ar através do Programa Criando Espaço de 07 de outubro de 2011, capitaneado pelo meu grande amigo Beto Belini, exímio churrasqueiro, apreciador de cervejas e companheiro de cachaça.


Cachaçaria Weber Haus elabora blending histórico de sua 1ª cachaça 12 anos

Weber Haus 12 anos
Rótulo Lote 48 Extra Premium terá edição limitada de 2.000 feita por especialistas

A Cachaçaria Weber Haus prepara o lançamento da sua vida, que este ano chega a 65 anos de empresa e 165 de tradição na elaboração de destilado de cana de açúcar. Uma cachaça artesanal de alambique, envelhecida 12 anos – seis deles em madeira de bálsamo, seis em carvalho francês – elaborada por especialistas reconhecidos pela excelência em degustação de destilados. São eles que escolherão o blend exclusivo a partir da cachaça guardada em 18 pipas. O resultado será um produto único, de colecionador, com apenas 2 mil unidades numeradas. O evento inédito – a escolha do blend– ocupará o alambique e os porões de armazenamento da empresa em Ivoti, na chamada Rota Romântica do Rio Grande do Sul, entre 24 e 26 de janeiro de 2013.

É assim que será elaborado o rótulo Lote 48 Weber Haus 12 Anos Extra Premium, que abrirá 2013 como o principal lançamento da história da cachaçaria. Com direito até a certidão de nascimento. “Cada convidado provará a amostra de uma pipa. Depois de chegarem a um consenso quanto ao melhor blend, a cachaça será engarrafada em público, logo no dia seguinte. Vamos registrar todo processo em ata, para que fique certificado”, revela o diretor Evandro Luís Weber.

Cada participante do blending será recompensado com um exemplar da própria obra – devidamente timbrado com o numeral 0000. A garrafa 0001 será preservada, para futuramente ir à leilão, enquanto a de número 2000 ficará no acervo da empresa. As restantes serão comercializadas em escala de raridade. Evandro explica: “A unidade 1999 será vendida a R$ 701. A partir daí, o preço aumenta em R$ 1 a cada garrafa numerada em ordem decrescente, até atingir R$ 2.699,00, na de número 0002”.

No que tange às garrafas, aliás, cada uma delas foi produzida de modo artesanal, a partir de sopro de vidro reciclado, com dois dias de fornalha. O design é único e personalizado. Para arrematar, todas as peças que ornamentam a embalagem são banhadas a ouro 18 quilates.

Os requintes de apuro e exclusividade no produto foram estabelecidos pelos representantes da quarta geração da família em solo brasileiro para homenagear toda dinastia – que começou a elaborar cachaça no mesmo alambique em 1848.

Hugo e Eugênia Weber, que conduziram o processo de constituição formal da empresa e inauguraram o catálogo comercial com o rótulo Primavera, em 1968, serão os convidados de honra dos filhos Eliana, Mariane, Edete e Evandro, com as respectivas famílias, durante o blending.

“O que eles começaram com a Primavera, tornou-se a marca Weber Haus. O Lote 48 é o nosso reconhecimento ao trabalho deles e o reconhecimento da Weber Haus aos apreciadores da melhor cachaça produzida na mesma terra onde chegaram nossos antepassados”, conclui Evandro Weber.

A parte triste dessa história é que dificilmente eu vou poder provar desta garrafa.


Mangue Seco comemora dia nacional da cachaça

Mangue seco

Taí o tipo de iniciativa que devia ser seguida à risca por quem produz ou comercializa nossa adorada ‘branquinha’.

No Dia Nacional da Cachaça, 13 de setembro, no restaurante Mangue Seco, todos os clientes ganharão uma dose da cachaça da casa, a Mangue Seco. Os presente ainda concorrerão ao sorteio de duas garrafas da bebida: uma tradicional e uma envelhecida.

A noite começa com um show do grupo Bêbadosamba e segue ao sabor da riqueza gastronômica de nossa brasilidade.

Não posso estar presente. Quem for, tome uma por mim. E se ganhar o prêmio, me chame…

Mangue Seco fica na Rua do Lavradio 23, Centro Antigo (próximo à Prç. Tiradentes). (Quinta-feira às 20h. 18 anos. Tel: 3852-1947 Ingresso R$ 15)

www.mangue-seco.blogspot.com


Dedo de prosa na cozinha

Polenta com frango

Numa noite de domingo estava eu conferindo meus e-mails quando me deparo com uma mensagem curta de um certo Felipe de um site chamado Mapa da Cachaça, elogiando o trabalho que desenvolvo no meu blog Marvada e me convidando a conhecer o trabalho dele.

Fui, vi e gostei como é impossível não gostar de algo feito com tanto capricho, qualidade e talento.

Na noite seguinte recebo outro e-mail de uma certa Gabriela comentando que visitou meu blog culinário Restô d’Ontê e me convidando para visitar um projeto que ela estava desenvolvendo denominado …. Mapa da Cachaça ?!?

Perálá, o mesmo site? Eles se conhecem e não tinham trocado informações sobre mim ou meus projetos? Santa coincidência!

Descubro que Felipe Jannuzzi e Gabriela Barreto são sócios, apaixonados por cachaça e encabeçam uma competente equipe na empreitada de valorizar a cachaça como patrimônio nacional.

Doce conspiração dos astros para reunir coisas boas.

O projeto Mapa da Cachaça é algo tão bom e está crescendo tão rápido que ao escrever estas palavras todos os que as leem certamente já o conhecem. Mas não posso deixar de citar esta estranha sucessão de eventos que me aproximou deles e que permitiu que timidamente eu pudesse contribuir e beber um pouco do seu sucesso.

Em 22 de julho tive uma receita de Polenta com frango e sua história particular publicada.

Foi uma sensação gratificante que espero poder repetir sem moderação.

Felicidades, sucesso e vida longa ao Mapa da Cachaça e a toda sua equipe.


Curta o curta: Cachaça

 


Dia da Cachaça Mineira

Não há tristeza que dure para sempre, nem mal que se perpetue pela eternidade.

Veja meu caso.

Estava triste.

Nasci num dia 21 de maio – Dia da Cachaça.

É o dia que, historicamente, se inicia a colheita da cana-de-açucar em Minas Gerais para a produção da cachaça.

Eu era feliz por isso.

Ai veio o governo e determinou que o dia da cachaça passe a ser 13 de setembro.

Foi nesse dia do ano de 1661 que o Reino de Portugal liberou a produção e comercialização da cachaça que tinha sido proibida por 26 anos pois a nossa aguardente concorria com os alcólicos importados.

Com isso, o dia 21 de maio passou a ser apenas o dia da cachaça mineira.

Fiquei triste, deprimido.

Uma amiga me fez ver que existe um lado bom para tudo na vida.

Agora, tenho DOIS dias para comemorar a cachaça !!!

Um brinde então.


Batidinha de frutas

Diferentemente das caipirinhas que são feitas artesanalmente com frutas esmagadas e açúcar, as batidinhas são produtos quase industriais.

Frequentam recepções, festas de formatura, casamentos, aniversários e salas de espera de restaurantes lotados.

São as preferidas das mulheres, quando se apresentam “docinhas” e em pequenas e seriadas doses.

Por essas, a maioria das pessoas costuma pensar que sua confecção é difícil e trabalhosa. Ledo engano.

É muito fácil fazer batidinhas de vários sabores, agitar uma festinha e agradar (principalmente) as mulheres.

Os sabores mais comuns sã0 de coco e maracujá. Mas também é muito fácil fazer de uva, pêssego, abacaxi, caju, chocolate e outros.

Minha receita básica é simples. Utilizo suco concentrado, daqueles encontrados nas gôndolas de supermercado. Poder-se usar suco natural ou mesmo polpa congelada, mas o suco concentrado tem a vantagem de ser fácil de usar e permitir o armazenamento em refrigeração do que sobrar (se sobrar) por alguns dias.

A medida precisa ser adaptada para alguns sabores mais concentrados. O suco de maracujá, por exemplo, é mais forte e deve ser reduzido à metade. A batida de coco é feito com leite de coco (duas garrafas de 200 ml) e a de chocolate usa 200 gramas chocolate em pó (não use achocolatado).

A medida padrão é:

  • 1 lata de leite condensado
  • a mesma medida de cachaça branca
  • 1 garrafa de 500 ml de suco concentrado de fruta

Bata todos os ingredientes no liquidificador e leve à geladeira.

Sirva com gelo, mas atenção, sempre agite antes de servir.

Para quem deseja uma bebida mais leve, entenda-se menos alcoólica, uma alternativa é reduzir à metade a medida de aguardente e substituir por guaraná.

A mesma dica serve para “afinar” a bebida caso ela tenha ficado muito densa. Nesse caso acrescente guaraná aos poucos no liquidificador pois o gás presente na bebida pode causar alguns inconvenientes.

Oportunamente publicarei outros posts contendo fotos e a receita específica de cada sabor.

Se você tiver outras receitas interessantes, compartilhe conosco.


Água sagrada

A cana sagrada
nobre suco emana
que volita e irmana
como aprendeu a negrada.

O copo se esvazia
o desânimo se alija
a alegria esfuzia
o paladar regozija.

A alma deflagra
contra o corpo aflito
um verso ínclito
que ao poeta se sagra.

Doce canha
água substantivada
os ânimos assanha
cachaça marvada.


Caipirinha de abacaxi

Afinal, se caipinha é de limão, a de abacaxi é caipirinha ou não?

Bom, sempre haverão puristas afirmando que caipirinha, só de limão. Que as de outras frutas são batidinhas.

Eu prefiro outras definições para diferenciar os drinques:

“Caipirinha” é  feito com cachaça e frutas esmagadas.

“Batidinha” é  feita com polpa ou concentrado de frutas ou ainda outro ingrediente que adicione sabor.

Assim, o limão, abacaxi, maracujá ou morango podem render tanto para fazer uma boa caipirinha quanto para uma deliciosa batidinha. Lembrando que as melhores caipirinhas são feitas com frutas cítricas

E uma boa caipirinha de abacaxi começa pela escolha de uma boa fruta. Doce e não muito madura. Se for uma fruta “aguada” e sem sabor, a bebida definitivamente não ficará boa.

PASSOS:

  1. Descasque o abacaxi e divida-o em cinco ou seis partes. Lembre-se que a casca tanto pode render um bom chá como ainda servir para fazer um delicioso licor.
  2. Pique uma das partes em pedaços não muito pequenos, coloque no copo adicione  uma colher de açucar e esmague com o pilão.
  3. Deixe descansar por alguns minutos, isso apura o sabor da bebida.
  4. Acrescente o gelo e finalmente a cachaça, sempre branca. Nunca use cachaça envelhecida ou descansada para fazer caipirinhas. Elas alteram o sabor do drink além de serem um desperdício gustativo.

DICA: Se estiver fazendo várias caipirinhas para servir numa festa, a dica é preparar vários copos até o PASSO 3 e colocá-los no congelador. Na hora de servir bastará retirar do congelador, adicionar uma dose de cachaça e algum gelo adicional.

ATENÇÃO: Essa dica NÃO funciona para a tradicional caipirinha de limão.


Caipirinha

O dicionário Aulete define caipirinha como sendo uma “Bebida, originalmente brasileira, preparada com cachaça, pedaços de limão ou limão macerado, açúcar e gelo“.

Os mandamentos fundamentais de uma legítima caipirinha estão aí expressos.

O primeiro, solenemente desrespeitado por quem não dá valor a nossa patriótica cachaça, é trocar a alma do drink por qualquer outro destilado. Já vi quem servisse sob o nome de caipirinha um drink de limão macerado com campari. Isso pode ser tudo, menos caipirinha.

Portanto, para não errar, basta uma simples receita:

50 ml de cachaça (1 dose)
1 limão taiti
1 colher de açúcar
3 cubos de gelo

Ainda assim, alguns cuidados podem fazer do preparo e da degustação um prazer exclusivo. Vamos a eles.

Caipirinha é feita com cachaça !

Qualquer outro destilado pode ser usado na produção de drinks com frutas, mas não será caipirinha. Aqui, vale apresentar um glossário de drinks semelhantes feitos com outros destilados:

vodka = caipiroska
bacardi (rum) = caipiríssima
tequila = tequirinha
sakê = sakerinha

Apesar do mesmo verbete no dicionário  informar que  o limão pode ser substituído por outra fruta (falaremos sobre isso em outra oportunidade) este drink tipicamente brasileiro ficou mundialmente conhecido em sua versão tradicional com limão.

Prefira o limão taiti. Limões com a polpa amarela não costumam render boas caipirinhas. Virou moda usar o limão siciliano. Impressiona, mais pelo preço que custa do pelo sabor que proporciona.

Escolha um limão de casca brilhante e lisa. Isso indica uma fruta jovem e com bom suco. Ele deve ser firme, mas não pesado.

O limão pode ser descascado ou não, isso depende do gosto pessoal. Com a casca, a bebida tende a ficar um pouco mais ácida. Remova o miolo do limão, aquela parte branca que une os gomos. Ela deixa um gosto amargo na bebida.

O limão deve ser macerado, ou seja, esmagado com pilão ou outro instrumento adequado. Não use suco de limão pois ele oxida muito rapidamente. Por isso mesmo este drink não deve ser feito muito tempo antes de ser apreciado.

Esmague o limão com o açúcar no próprio copo em que a caipirinha será servida. Esmagá-los em conjunto faz com que o limão solte um pouco mais de seu suco e retarda o processo de oxidação.

Evite usar adoçante. Ele deixa um gosto amargo na bebida e seu efeito dietético provavelmente estará sendo anulado pelo álcool consumido. Mas se você insistir em “cortar calorias” use pouco açúcar para macerar o limão e complete com o adoçante de sua preferência.

Adicione gelo picado, mas não moído. Pedras muito grandes atrapalham o consumo. Muito pequenas derretem logo e deixam o drink aguado.

Finalmente coloque a cachaça sobre o gelo e mexa com suavidade. Uma dose (50 ml) ou uma dose e meia serão suficientes.

Inspire profundamente e beba com tranquilidade, desfrutando do privilégio de ter em mãos um dos drinks mais populares e saborosos do mundo.


Cachaça não é água não !

A marchinha de carnaval já procurava esclarecer ao público em geral o que é a cachaça.
Mas isso só foi definitivamente esclarecido em 2005.
Foi a partir da publicação da Instrução Normativa Nº 13, de 29 de junho de 2005 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que os padrões técnicos de qualidade e identidade foram definidos para a Cachaça e a Aguardente de Cana.
Segundo esse regulamento as bebidas são assim definidas:
  • Aguardente de Cana é a bebida com graduação alcoólica de 38% vol (trinta e oito por cento em volume) a 54% vol(cinqüenta e quatro por cento em volume) a 20ºC (vinte graus Celsius), obtida do destilado alcoólico simples de cana-deaçúcar ou pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar, podendo ser adicionada de açúcares até 6g/l (seis gramas por litro), expressos em sacarose.
  • Cachaça é a denominação típica e exclusiva da Aguardente de Cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38 % vol (trinta e oito por cento em volume) a 48% vol (quarenta e oito por cento em volume) a 20ºC (vinte graus Celsius), obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até 6g/l (seis gramas por litro), expressos em sacarose.
  • Destilado Alcoólico Simples de Cana-de-Açúcar, destinado à produção da Aguardente de Cana, é o produto obtido pelo processo de destilação simples ou por destilo-retificação parcial seletiva do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar, com graduação alcoólica superior a 54% vol (cinqüenta e quatro por cento em volume) e inferior a 70% vol (setenta por cento em volume) a 20ºC (vinte graus Celsius).
Assim sendo, podemos dizer que toda cachaça é aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça.
Ambas podem ainda receber outras denominações, segundo o tratamento que recebem:
  • Adoçada: É a bebida que contém açúcares em quantidade superior a 6g/l (seis gramas por litro) e inferior a 30g/l (trinta gramas por litro), expressos em sacarose.
  • Envelhecida: É a bebida que contém, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de bebida envelhecida em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano.
  • Premium: É a bebida que contém 100% (cem por cento) da bebida envelhecida em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano.
  • Extra Premium: É a bebida envelhecida por um período não inferior a 3 (três) anos.
O regulamento completo você confere aqui:

Como degustar uma cachaça

Degustar uma cachaça não difere do método de degustar qualquer outra bebida.

É preciso antes de mais nada respeito pelo líquido. Não reverência, mas respeito pois trata-se de um produto que consumido com moderação pode oferecer prazer, mas em excesso (e o limite é algo muito pessoal) pode causar severos danos à saúde.

Mesmo sem ser profissional e sem dispor de nenhuma habilidade especial, é possível observar algumas pequenos passos que enriquecem a experiência.

Vamos a eles:

  • A degustação começa pela garrafa, examine o rótulo e o vasilhame. A boa apresentação é indício da qualidade da bebida.
  • Procure por resíduos na garrafa. Uma bebida sem resíduos indica uma bebida bem manipulada e eventualmente filtrada. Resíduos também podem ser indício de adulteração.
  • A cachaça pode ser branca (natural) ou dourada. O dourado tanto pode ser resultado do envelhecimento em tonéis de madeira quanto pelo uso de aditivos (melado ou caramelo pois corantes são proibidos). Boas cachaças podem conter aditivos, mas ocultar essa informação é um desrespeito ao consumidor.
  • Alguns degustadores tem o hábito de agitar com vigor a garrafa e observar a espuma que se forma na parte superior e que indica qualidade quando se desfaz rapidamente. Apontam também o volume de pequenas bolhas que se formam indicando a qualidade da destilação (mas eu confesso que nunca consegui ver a diferença).
  • Para degustar, recomenda-se o mesmo cálice usado para degustação de conhaque. Também pode ser utilizado copos longshot. O importante é que sejam transparentes para permitir avaliar a coloração da bebida.
  • Antes de beber desfrute o aroma da bebida. De longe perceba se o aroma que sobressai é o de perfume ou o do álcool. De perto, inspire profundamente o bouquet e perceba se ele é agradável ou provoca alguma irritação.
  • O primeiro gole deve ser pequeno. Deixe a bebida passear pela boca. Nossa língua possui papilas especializadas em diferenciar o doce, o amargo, o ácido e o salgado. Agindo assim você poderá determinar qual o sabor predominante da bebida.
  • Depois do primeiro gole, observe o copo. Note se a bebida escorre lentamente, como um óleo que se fixa na parte interna do copo. Quanto mais viscoso o líquido mais encorpada é a bebida.
  • Algumas cachaças “queimam”. Isso não é decorrente de maior ou menor gradação alcólica, mas sim da qualidade da destilação. De modo geral, quanto mais quente, menor a qualidade. Mas não confunda: cachaças muito doces (geralmente com adição de melado) queimam menos e nem por isso são de qualidade superior.
  • Se estiver degustando várias bebidas, atenha-se ao primeiro gole e intercale as provas com algum alimento de sabor pouco pronunciado.

Finalmente e não menos importante, cerque-se de boa companhia. O melhor da degustação é fazê-la acompanhada de dois dedos de boa prosa.


E aí meu povo !!!

Foram tantos os pedidos, tão chorosos tão sentidos…” que finalmente cedi à tentação de registrar minhas impressões sobre esse patrimônio legitimamente brasileiro, a CACHAÇA.

Sim, com maiúsculas, essa legítima aguardente que atende por tantos nomes, mas que aqui acabou lembrada pelo cancioneiro popular da “marvada pinga“.

Marvada que é apenas um dos muitos apelidos carinhosos pelo qual os apreciadores da “água que passarinho não bebe” se referem à multifacetada bebida símbolo do Brasil.

Não sou nenhum especialista no assunto. O que modestamente me proponho é compartilhar minhas impressões e experiências de degustação, responsável e consciente, desta bebida complexa e de seus complementos e derivados.

Portanto, as anotações certamente conterão erros, imprecisões e deverão contrariar a experiência e o conhecimento de muitos que por aqui passarem. Por isso mesmo comentários são bem vindos e enriquecerão a experiência de todos.

Então bem vindo a este cantinho. Um brinde e saúde !


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