Arquivo do autor:Marcelo

Asa Branca

Asa Branca

Curioso que alguns rótulos permaneçam tão apegados a suas raízes e consigam mesmo assim manter uma conexão com seu público nesses tempos midiáticos.

A Cachaça Asa Branca tem um rótulo repleto de textos que, embora apresentem informações importantes e necessárias, em nada contribuem para a “vendabilidade” do produto.

Nisso está par-a-par com sua concorrente  que é considerada por muito um ícone supremo. E longe de ser um problema, é gratificante que a história dessa cachaça que ultrapassa os 47 anos seja preservada como um tributo a sua histórica qualidade.

Diferente de outra produto do mesmo fabricante que provei em 2013 (Leia aqui), essa versão parece uma legítima mineira de Salinas. Suave, cheirosa, leve e naturalmente adocicada. Como se espere encontrar de um destilado repousado em tonéis de umburana.

A coroa é persistente e permite admirar seu amarelo dourado escorrendo lentamente  pelas bordas do copo.

Não foi possível investigar a história, mas é agradável pensar que foi inspirada na canção de mesmo nome de Luiz Gonzaga. Muitas vezes me peguei cantarolando entre um trago e outro os versos desse poema imortal.

Essa eu pude desfrutar como presente da cesta de natal que ganhei da Casa da Cachaça em Cascavel.

Afffe !!!!


Cor: amarela ouro
Viscosidade: média
Aroma: adocicado
Sabor: leve e adocicao
Madeira: umburana
Graduação: 40%
Apresentação: garrafas de 670 ml

Famosinha de Minas

Famosinha de Minas

Cachaça no melhor estilo mineiro produzida desde 2008 em Papagaios/MG.

Apesar da breve história, acumula prêmios que atestam a qualidade de seus produtos.

O rótulo informa que é armazenada em Tonéis de Amburana mas o site do fabricante afirma que ela seria envelhecida por dois anos.

Aroma suave, levemente ácido.

O sabor e a doçura confirmam o contato com a Amburana, mas o gosto levemente ácido e picante proporcionam uma experiência diferente do que se costuma obter dessa madeira.

Agradável e fácil de degustar.


Cor: amarelo claro
Viscosidade: média
Aroma: neutro
Sabor: suavemente adocicado, marcadamente picante.
Madeira: Amburana
Graduação: 42%
Apresentação: garrafas de 50, 600 e 700ml.

Engenho Buriti de Minas LTDA
Fazenda pontinha , SN, Zona Rural. Papagaios
MG CEP: 35669-000 Caixa Postal 04
http://engenhoburiti.com.br


Savassi

Savassi

Savassi é o nome de um bairro de Belo Horizonte tradicionalmente conhecido por seus bares e sua vida boêmia. E juntando mineiro com boemia só pode resultar em cachaça.

Esta cachaça representa bem o nome. A apresentação causa boa impressão ao combinar sobriedade com sofisticação.

Seu sabor leve convida à degustação sem pressa nos fins de tarde preguiçosos.

Versão envelhecida em tonéis de carvalho que me foi presenteada por um saudoso e eterno amigo que hoje se encontra em um plano maior da existência humana e com quem muito apreciaria poder desfrutar do aroma e sabor levemente amadeirados que ela apresenta.

Mas não consegui descobrir se ainda continua a ser produzida. E assim seguimos sem poder apreciar uma nova garrafa, que por melhor que fosse, nunca teria o sabor daquela apreciada em tão preciosa companhia.

E assim seguem nossas vidas, em busca de novas e melhores safras.


Cor: amarelo ouro
Viscosidade: baixa
Aroma: levemente alcoólico
Sabor: alcoólico adocicado, suavemente amadeirado
Graduação: 40%
Apresentação: garrafa de 500 ml.

https://www.facebook.com/cachaca.savassi


Boas Festas

Cesta de Natal - Casa da CachaçaManhã de sábado, nada para fazer.

Acordo tarde e quando já se aproxima a hora do almoço lembro que sempre procrastino a visita a uma nova loja. Para espantar o tédio arrisco uma visita e vou até a Casa da Cachaça localizada no centro da cidade.

O ambiente é pequeno mas bem aproveitado. Muitos rótulos do destilado símbolo do Brasil cobrem as paredes. Encontram-se também acessórios, presentes, petiscos e uma pequena variedade de queijos e embutidos.

O atendente, muito solicito, conta a história da casa. Discorre sobre a qualidade das bebidas. Apresenta alguns rótulos raros e exclusivos.

Não se esquece de falar dos ocasionais happy-hours promovidos espontaneamente por clientes, regados a boas cachaças guarnecidas por petiscos e embalados por boa música popular “de raiz”.

Tudo muito bom, tudo muito bem.

Compro uma garrafa para não sair de mãos vazias e quase saindo…

“- Preenche um cupom para concorrer a nossa cesta de presentes de natal. Vai correr essa semana.”

Resisto ao impulso de economizar a tinta da caneta e preencho.

E Pá ! Ganhei ?!?!

Faz tempo que não ganho nenhum sorteio. Será que já ganhei algum ? Acho que um frango assado em bingo de quermesse, sei lá.

Mas dessa vez ganhei uma cesta de natal da Casa da Cachaça.

Nada de panetone, castanha, frutas secas e espumante.

Muuuuito melhor !

Três cachaças, uma garrafa portátil, torresmo, molho de mostarda, doce de leite mineiro, “paieiro” e um exclusivo copo personalizado de cachaça.

Vai terminando bem meu ano, tomara que o próximo continue assim.

Boas festas a todos com o desejo de que assim como nossas cachaças melhoram a cada ano, que melhore esse nosso Brasil tão maltratado.


Casa da Cachaça
Rua São Paulo, Nº 500, Centro
Cascavel, Parana, Brazil
(45) 3229-6150
https://www.facebook.com/casadacachacacascavel/


Terra Roxa

terra roxa

Sou pé vermelho !

Nascido e criado no noRRRte do Paraná, sou daqueles que, um dia moleque, corria descalço pelas ruas de chão batido e voltava para casa com os calcanhares rachados e encardidos do vermelho da terra.

Que nos dias de chuva atolava os pés na lama escura e, por mais raspada que fossem, ficavam com os kichutes cobertos de grossa camada marrom.

É a sina que carrega quem vive a dificuldade e a alegria da Terra Roxa.

Pois foi com a inquietude de quem espera encontrar engarrafado, descansando na gôndola de um supermercado, as lembranças de um tempo erodido que levei para casa esse líquido que tem esse nome grafado.

Pois foi em Pirassununga, e não descobri porque leva esse nome, que nasceu essa cachaça. Simples e reconfortante. Não exuberante, mas decente.

A cachaça Terra Roxa é descansada em tonéis de carvalho. Não carrega aquele sabor marcante da madeira que alguns costumam imprimir para oferecer um toque sofisticado, mas o suficiente para lhe dar suavidade e sabor.

O aroma alcólico e sabor levemente ácido lembram o que de melhor uma cachaça tradicional tem a oferecer sem agredir o paladar.

Possui uma coloração amarelo claro e boa viscosidade.

Ao degustar, me flagrei lembrando daqueles botecos de tábua na beira das estradas de chão. Meio tombados pelo tempo e pela má conservação.

Nenhum deles teria algo tão bom a oferecer, mas decerto essa bebida, até no nome, faz uma justa homenagem àqueles que deram seu suor para domar essa terra fértil e buscaram no trago amargo de um alambique, limpar um pouco da poeira vermelha acumulada na garganta de seus corpos cansados da lida.


Cor: amarela clro
Viscosidade: média
Aroma: alcólico
Sabor: levemente ácido
Madeira: carvalho
Graduação: 39%
Apresentação: garrafas de 750 ml

Sapucaia Velha tradicional

Sapucaia Velha - tradicional

Sapucaia Velha é uma cachaça que me traz muitas e boas recordações.

Foi a primeira CACHAÇA (em maiúsculas mesmo) digna do nome, que tive o privilégio de provar quando André Carlos Salzano Masini me presenteou com a coleção completa da série.

Isso foi no distante ano de 2013 e lembro dele ter me contado que a cachaça era produzida, com atenção artesanal, da cana extraída de uma fazenda que teria sido de seu pai.

Hoje nem sei por onde anda esse multitalentoso colega aposentado, escritor, poeta e tradutor. Mas seu site continua vivo em http://www.casadacultura.org/

Guardo a lembrança de ter degustado a Sapucaia em suas versões normal, velha e florida e, graças a seu presente, continuo degustando deliciosas cachaças,

O portfólio da marca cresceu, mas esse post recuperado registra minha grata lembrança nessa versão envelhecida por cinco anos em tonéis de carvalho.


Cor: amarela ouro
Viscosidade: média
Aroma: amadeirado
Sabor: levemente adocicado e picante
Madeira: carvalho
Graduação: 40,5%
Apresentação: garrafas de 700 ml

Linda

Linda

Contam que essa cachaça ganhou o nome depois que Pedro Conti encantou-se com a beleza desconcertante de uma mulher que viu passeando pela rua. A pedido do irmão e sócio Plínio, esboçou o desenho da musa que estamparia o rótulo da cachaça que em meados dos anos 1950 passaria a fazer parte do portfólio de produtos da Casa Di Conti.

Depois de muito tempo fora do mercado, ela foi relançada em edição numerada e limitada a 55 mil unidades.

A bebida é de um amarelo sutil. Apesar do envelhecimento em tonéis de carvalho, amburana e jequitibá-rosa seu aroma é neutro, mas suficiente para retirar acidez e conferir uma doçura agradável e um sabor levemente picante.


Cor: amarelo claro
Viscosidade: média
Aroma: neutro
Sabor: suavemente adocidado, levemente picante.
Madeira: carvalho, amburana e jequitibá-rosa
Graduação: 43,5%
Apresentação: garrafas de 750ml.

Casa Di Conti – Cândido Mota/SP
http://www.cachacalinda.com.br


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